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Sob a desconfiança de parte da comunidade internacional em meio a chamados ao boicote do presidente deposto, Manuel Zelaya, centenas de milhares de hondurenhos compareceram às urnas ontem para escolher os novos presidente, deputados e prefeitos do país. Com a exceção de confrontos em San Pedro Sula, a jornada de votação, sob forte presença policial e militar, transcorreu sem incidentes graves. O resultado está previsto para ser divulgado hoje.
A reportagem visitou cinco centros de votação em três regiões de Tegucigalpa ontem de manhã, com bastante variação no comparecimento. As urnas mais vazias eram as instaladas no bairro de classe média baixa Hato de Enmedio, reduto de Zelaya. Nos primeiros minutos da votação, iniciada às 7h (horário local), não havia fila em nenhuma das mesas. Em todos os centros de votação visitados, os dois partidos principais, Nacional (direita) e Liberal (centro-direita) instalaram barraquinhas forradas de propaganda eleitoral com computador para que os eleitores pudessem checar o seu centro de votação, prática permitida em Honduras.
Por outro lado, não havia militantes pró-Zelaya pregando a abstenção - em Tegucigalpa, os líderes da “resistência’’ convocaram um “toque de recolher popular’’, exortando seus seguidores a ficarem em casa.
“Votei pelo costume’’, disse a secretária Ondina Tinoco, 47, eleitora do candidato do Partido Liberal (centro-direita), Elvin Santos, segundo colocado nas pesquisas de opinião. “Mas a maioria aqui não vai votar porque apoia Mel Zelaya.’’
Já na escola Simon Bolivar, o maior centro de votação de Tegucigalpa (13.335 eleitores), havia mesas de votação com filas e bastante movimento. Numa das mesas, 50 dos 381 eleitores inscritos haviam votado até as 10h locais, segundo a responsável, Aurora Rubio, 28. Ela disse que o comparecimento estava parecido ao de 2005, quando Zelaya se elegeu.
Líder nas pesquisas, o candidato conservador Porfirio Lobo, 61, do PN, opositor de Zelaya, votou na cidade de Juticalpa. “Esta eleição é um passo para um governo de unidade nacional”. Em El Progreso, norte do país, o presidente interino, Roberto Micheletti, disse, após votar, que “apenas queremos viver em paz e em democracia, o mundo deve reconhecê-lo”.